João Gil

João Gil, compositor e guitarrista, é um dos nomes mais (re)conhecidos da música portuguesa.

Nasceu na Covilhã em Dezembro de 1965, tendo vindo para Lisboa ainda adolescente. Amante de música desde a infância, as suas primeiras incursões profissionais dão-se em 1975, com Artur Costa, num grupo de música de intervenção denominado Soviete do Areeiro. Será no ano seguinte quando, em parceria com João Nuno Represas, Luís Represas, Artur Rocha e Manuel Faria, forma o Trovante, que a sua carreira como músico profissional ganha verdadeiro relevo.

O disco de estreia de TROVANTE data de 1977, “Chão Nosso”, e nele a música tradicional portuguesa alia-se a mensagens com algum teor político e social. Um ano depois, “Em Nome da Vida” vem confirmar esta vertente de certa forma intervencionista da banda.

Será a partir do segundo disco do grupo que João Gil se começa a concentrar na composição, procurando desenvolver, em parceria com os demais músicos, reportório de componente mais tradicional. Lançam “Baile do Bosque”, que se torna um enorme sucesso, ao qual se sucede o álbum “Cais das Colinas” (1983) que inclui um dos temas de maior sucesso do TROVANTE, letra e música do próprio João Gil: “Saudade”.

A década de 80 é profícua para TROVANTE e, também, para a actividade de João Gil enquanto músico e compositor. Sucessos como a “Esplanada”, em co-autoria com o João Monge, “Xácara das Bruxas Dançando”, “Memórias de um beijo” e “125 Azul”, com Luís Represas, ou “Perdidamente”, têm a assinatura de João Gil e conferem uma sonoridade mais pop à banda.

O TROVANTE é uma das primeiras bandas da história da música portuguesa e esgotar três datas seguidas no Coliseu dos Recreios, ainda nos anos 80. Em 1986, após a edição do álbum “Sepes”, são convidados a encerrar a Festa do Avante e a actuar para mais de 100.000 pessoas num concerto histórico. Em 1988, a banda arrisca numa grande produção no Campo Pequeno que veio dar origem a um dos mais bem sucedidos discos ao vivo.

“Um Destes Dias” é o último álbum de originais do TROVANTE e dele consta mais um grande êxito composto por João Gil, com letra de João Monge: “Timor”, que mais do que uma grande canção, se torna o hino para a mobilização do povo português sobre causa do povo Maubere. Em 1991, o TROVANTE enceta a sua última digressão e decidem terminar com a actividade da banda.

Funda, em seguida, os Moby Dick com Artur Costa e Alex Cortez dos Rádio Macau.

Nessa altura, a parceira de João Gil e João Monge era algo cada vez mais presente e é neste contexto que convidam Manuel Paulo para criar um novo projecto musical. A ideia inicial não era, exactamente, constituir uma banda mas sim juntar uma série de canções, com uma sonoridade comum, que pudessem ser interpretadas por diferentes vozes. Contudo, a base do projecto muda quando conhecem Nuno Guerreiro, que se torna a voz eleita para o reportório que tinham composto. À formação de base, agora com Nuno Guerreiro como vocalista, junta-se o guitarrista Moz Carrapa e nasce, assim, a ALA DOS NAMORADOS.

A primeira apresentação do grupo dá-se, ainda, antes do álbum de estreia, no Festival de Bruges, na Bélgica, em 1994. É o início da carreira da ALA DOS NAMORADOS que, a partir desse ano, passa a realizar tours regulares em Espanha, França, Itália, Bélgica e o Brasil levando a música portuguesa para os principais palcos internacionais.

“Loucos de Lisboa”, o single de apresentação da ALA da autoria de João Gil e João Monge, o qual se torna num estrondoso sucesso. Um ano passado do álbum de estreia, a Ala dos Namorados edita o segundo disco de originais, “Por Minha Dama”, do qual se extrai, entre outros, “A História do Zé Passarinho”. É nesse ano de 1995 que a banda se apresenta no Mercat de Música Viva de Vic (Barcelona), onde é distinguida com o prémio de Melhor Banda Estrangeira.

Em plena actividade da ALA DOS NAMORADOS, João Gil junta-se a Rui Veloso, Tim, Jorge Palma, Vitorino e João Monge e constituem o RIO GRANDE - um dos grupos multiartistas de maior prestigio e sucesso em Portugal. Editam dois discos e temas como o “Postal dos Correios” ou a “Fisga”, conquistam o público de todas as idades, fazendo de cada concerto dos RIO GRANDE um verdadeiro acontecimento.

Entretanto, a actividade nacional e internacional da Ala dos Namorados prossegue e, em 1998, o tema que dá nome ao novo álbum, torna-se um sucesso transversal: “Solta-se o beijo”, um dueto cantado com Sara Tavares com música de João Gil.

João Gil, Manuel Paulo e João Monge continuam a compor para a voz de Nuno Guerreiro, levando mais longe a sonoridade do grupo e, em 2000, surge o duplo álbum “Cristal” que conta com a participação de Carman Linares, Aldo Brizzi, Jacques Morelenbaum e a Orquestra Filarmónica de Turim. “Ao Fim do Mundo” é um dos temas principais.

Em 2002, João Gil participa no projecto CABEÇAS NO AR, com Rui Veloso, Jorge Palma e Tim, com letras de Carlos Tê e editam o álbum de nome homónimo.

Depois de uma tournée com a Orquestra Metropolitana de Lisboa, a Ala dos Namorados apresenta-se em Macau (2006), com a Orquestra Chinesa, num concerto memorável. É neste mesmo ano que João Gil anuncia a sua saída do grupo para se dedicar a novos projectos artísticos.

Ainda em 2005, João Gil apresenta e lidera a FILARMÓNICA GIL, da qual fazem parte Nuno Norte e Rui Costa. A ideia de criação do projecto surge no âmbito das comemorações dos seus 25 anos de actividade como músico e juntam, uma vez mais, as letras de João Monge à música de João Gil. "Deixa-te Ficar Na Minha Casa" foi o single de apresentação da banda e, também, aquele que atingiu uma maior notoriedade. A FILARMÓNICA GIL edita um segundo disco em 2007, “Por Mão Própria”, mas o grupo termina pouco tempo depois.

Em fase de comemoração dos 30 anos de actividade, João Gil edita o seu primeiro disco em nome próprio onde, a solo e em parceria com alguns artistas convidados, interpreta temas da sua autoria.

Ao longo da sua carreira, João Gil nunca escondeu as suas inúmeras influências musicais, as quais foi explorando nos diferentes grupos musicais em que participou. O fado foi sempre uma das suas referências e, com na voz de Ana Sofia Varela e letras de João Monge, grava “Fados de Amor e Pecado”, em 2009, reunindo excelentes críticas.

Em 2010, João Gil junta-se aos Adiafa, a Mário Delgado, a Alexandre Frazão, Miguel Amado e Paulo Ribeiro formando o BAILE POPULAR. “Rosa Albardeira” será um dos temas de referência do grupo.

 O ano de 2011 volta a juntar João Gil e Luís Represas que, passados 35 anos de cumplicidade e muitas histórias vividas, se unem para gravar um disco com originais e revisitar temas do seu património musical. Companheiros de sempre na música, João Gil e Luís Represas ligam as vozes e as guitarras em disco e ao vivo, numa tour de quatro meses que esgotou em poucos dias. 

Em 2012 João Gil reúne um pequeno ensemble, denominado de “Cantate”, para recriar uma missa cantada com músicas compostas a partir de textos litúrgicos em latim. Luís Represas e Manuel Rebelo deram voz ao projecto “Missa Brevis”, que juntava João Gil na guitarra, Diana Vinagre no violoncelo e Manuel Paulo ao piano.

 Os últimos anos trouxeram mais dois grandes projectos com a assinatura de João Gil: o QUINTETO LISBOA e os TAIS QUAIS. 

Os TAIS QUAIS pretendem recriar aquilo que há de mais genuíno na música tradicional alentejana. O grupo reúne Tim, Vitorino, Jorge Palma, João Gil, Celina da Piedade, Paulo Ribeiro e o contador de histórias e humorista Jorge Serafim. O disco de estreia foi editado em finais de 2015 e, pouco mais de um ano passado, a edição de um CD/DVD  ao vivo atestam a qualidade do projecto.

 O QUINTETO LISBOA surge, uma vez mais, da cumplicidade de vários anos entre João Monge (letrista) e João Gil (músico e guitarrista). A dupla convidou dois músicos de excelência, José Peixoto (guitarrista) e Fernando Júdice (baixista), aos quais se juntaram as vozes são de Paulo de Carvalho e Maria Berasarte.

Depois de grandes canções criadas para os grupos Trovante, Ala dos Namorados, Filarmónica Gil, Rio Grande, Fados de Amor e Pecado e Baile Popular, os compositores João Monge e João Gil sentiram uma grande necessidade de criar algo que marcasse o “movimento” para aquela que pressentem venha a ser a “nova Música Urbana Portuguesa”. 

Dos Trovante à Filarmónica Gil, passando pela Ala dos Namorados, Rio Grande, Cabeças no Ar, Baile Popular ou, mais recentemente, os Tais Quais ou o Quinteto Lisboa, a vida de João Gil é pautada por grandes sucessos que suplantam a notoriedade dos grupos por onde passou e nos quais deixou o seu forte contributo.

Ao longo da sua actividade como músico, João Gil assinou a banda sonora de alguns filmes portugueses, como “Ao Sul”, de Fernando Matos Silva, “Rosa Negra”, “Flores Amargas” e “Adriana” de Margarida Gil.

 O teatro também faz parte do seu percurso profissional, tendo composto para as peças “O Ano do Pensamento Mágico”, “Sexo, Drogas e Rock n Roll” e, mais recentemente, para o recital de “Ode Marítima” - que junta em palco João Gil e Diogo Infante, um projecto de música e poesia de enorme sucesso nacional e internacional.

 Ao longo de mais 40 anos de música portuguesa, João Gil distingue-se como compositor de algumas das músicas que farão, para sempre, parte da memória colectiva nacional: “Saudade”, “125 Azul”, “Loucos de Lisboa”, “Postal dos Correios”, entre tantas outras, são exemplos de canções com a assinatura de João Gil que se tornaram verdadeiros fenómenos de popularidade.

 

 

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